Atriz dramática

OUTRO JEITO

DE PENSAR

O intuito do projeto é ter incentivo à pesquisa artística para pessoas LGBTQIAP+ da cidade de São Vicente. Fomentando assim a criação como processo principal de uma arte contemporânea. Convidando 8 artistas atuantes na cidade de São Vicente para produzir um video de até 5 minutos cada. Cada um com sua vertente artística. A partir dos estudos de 1 mês de residência em formato online. Onde traremos a discussão artística, corporal tensionando com historicidade do território, gênero, sexualidade e identidade étnico-racial. Com isso nossa base serão os textos "Decolonizando sexualidades: Enquadramentos coloniais e homossexualidade indígena no Brasil e nos Estados Unidos" de Estevão Rafael Fernandes onde se encontra citações sobre gênero e sexualidade na cidade de São Vicente no século XVI.

 

E o texto "Entre a Escultura, Sensibilização e Investigação: a pelve como elemento mobilizador para a preparação poética e corporal do ator" de Rodney Cardoso, arte-educador e artista vicentino. Como convidado participará de um dos encontros online para pesquisar junto com os artistas residentes, tendo uma linha e contato direto entre artista e pesquisador. O outro arte-educador que estará presente no encontro formativo será Punk Klô, a primeira Drag Queen da Baixada Santista, compartilhando suas referências e experiências no movimento da região.

 

Como produto final os participantes produzirão uma Vídeoarte de até 5 minutos como obra e partilha do processo desse mês de vivências técnicas e pessoais. Com uma equipe técnica para auxiliar no processo artístico: captação e edição das imagens e direção de arte. E também no processo de produção: marketing digital, produção visual, pré e pós produção. Tendo uma rede e gama de diversidade artística/cultural para a realização do projeto.

 

Para também incentivar o processo como ponto principal de uma pesquisa artística iremos presentear nossos participantes com um caderno para partilha em tempo comum: o tempo de residência. em que cada um resgistrará de forma livre e escolherá algumas páginas no final do período de residência para fotografar e expor no site.

Por que falar de comunidade e pessoas LGBTQIAP+? O Brasil é um dos países com os maiores índices de violência lgbtfóbica no mundo. Em 2017 no Brasil foram registrados 445 casos de assassinatos de homossexuais, segundo o levantamento do Grupo Gay da Bahia. De acordo com a ONG Transgender Europe, entre 2008 e junho de 2016, 868 travestis e transexuais perderam a vida de forma violenta. No ano de 2018 os números são ainda maiores, a cada 19 horas um LGBTQIAP+ é morto no país. No primeiro semestre de 2018, 153 pessoas morreram por discriminação sexual, após as eleições do ano os números subiram mais ainda. O que comprova a importância social do projeto.

 

E por que falar de LGBT Calunga? São Vicente é um destacado ponto turístico para a população LGBT, o famoso Quiosque da Cris, que já está na ativa há mais de 30 anos é conhecido como um lugar seguro para nós e se estende a toda a faixa de areia do lado da Ilha Porchat onde acontecem as baladas "GLS" desde os anos 1980, também tivemos a passagem de diversas Paradas LGBT que consagram nossa cidade como destino de lazer para população LGBTQIAP+.

 

Quando nossa Ilha era conhecida como Gohayó, antes da chegada dos portugueses, os povos que habitavam na nossa região já acolhiam pessoas que hoje denominamos dissidentes da norma cisheteronormativa, como está documentado em diversos registros da época (Gandavo, 1570 e Correia, 1551) fazia parte do bem viver e da harmonia de muitas nações indígenas a existência de pessoas "LGBTs" assim como o respeito à suas individualidades. Nosso DNA caboclo carrega em si os diversos amares e seres, em suas complexidades.

 

Sabemos que São Vicente é uma cidade que acolheu muitos nordestinos e seus descendentes, também segundo o censo do IBGE de 2010 é a cidade mais negra da Baixada Santista e a que possui, da região, o maior índice de homícidios de jovens negros, acima da média estadual, segundo o Mapa da Violência. A falta de oportunidades para a juventude negra e periférica vicentina pode-se combater através de políticas públicas que garantam a distribuição de renda entre essa população. Nosso projeto Corpas à Mostra é composto majoritariamente por pessoas negras, indígenas e periféricas, e toda a equipe é LGBTQIAP+

PRO

POS

TA

Residência artistica: 1 mês em formato online sendo 1 encontro em grupo por semana para compartilhar ideias. 4 encontros no mês de aproximadamente 4 horas de duração. 2 encontros formativos: com os convidados arte-educadores. E outros 2 de partilha de processo e rede de apoio.

 

Pontos de partida da pesquisa: Texto "Decolonizando sexualidades: Enquadramentos coloniais e homossexualidade indígena no Brasil e nos Estados Unidos" de Estevão Rafael Fernandes. Mais precisamente o capitulo 1. E o texto "Entre a Escultura, Sensibilização e Investigação: a pelve como elemento mobilizador para a preparação poética e corporal do ator" de Rodney Cardoso, participando ativamente como arte-educador conduzindo uma pesquisa de registro de processo pessoal durante a residência artística. Tensionando: prática, teoria, historicidade da cidade, gênero, sexualidade e tempo de criação. Punk Klô dará uma formação compartilhando suas vivências como primeira Drag queen da Baiaxada Santista.

 

Contra Partida/Resultado Final: 8 obras artísticas em formato de vídeo com duração de até 5 minutos. Em diferentes linguagens artísticas, uma de cada artista residente. E uma série fotográfica do caderno de registro pessoal de cada participante. Disponibilizada no site do projeto. E para uso da prefeitura.